Sobre o Pirarucu

O pirarucu (Arapaima spp) é o maior peixe de escamas de água doce do mundo. É encontrado em toda Bacia amazônica, incluindo Bacia Araguaia-Tocantins e países como a Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.

Pesca do Pirarucu

O pirarucu é um dos recursos pesqueiros mais sobre-explorados da Amazônia. No século XIX e começo do século XX, o pirarucu foi intensivamente explorado na região, e sofreu uma diminuição na captura durante a segunda metade do século XX. Levantamento realizado em XX territórios comunitários do Baixo Amazonas revelam uma densidade média de apenas 1,5 pirarucus por km2, embora em algumas comunidades que manejam o pirarucu a densidade pode chegar a 35 individuos por km2.

Por que Manejar o Pirarucu

O pirarucu apresenta características que o tornam uma espécie interessante para o manejo sustentável:
Respiração: o pirarucu respira ar atmosférico obrigatoriamente, subindo à superfície da água para respirar a cada 5-20 minutos. Faculta a contagem pescadores através de contagem dos pirarucu pelos pescadores.
Tamanho: O pirarucu é um gigante da água doce, pode crescer mais de 3 metros de comprimento, e a pesar 250 quilos.
Crescimento: O pirarucu também é um peixe que cresce rapidamente em seus primeiros anos de vida (pesa aproximadamente 10kg).
Reprodução: Para se reproduzir o pirarucu, forma casal, e prepoara o ninho onde colocar os ovos para ser fertilizado. As larvas são cuidadas pelo casal até atingir cerca 40 cm de comprimento.

Como manejar o pirarucu

Um sistema de manejo comunitário do pirarucu foi desenvolvido na RDS Mamirauá a partir de uma metodologia de contagem participativa do pirarucu. Essa metodologia que aproveita o fato do pirarucu subir a superficie periodicamente para engolir ar e o conhecimento e habilidade do pescador de pirarucu, permite que equipes de pescadores de contem o número de individuos num lago com alto grau de precisão. 

Para manejar o pirarucu a comunidade deve cumprir as seguintes etapas:

  1. Realizar contagem visual de pirarucu, para estimar número de adultos e jovens
  2. Capturar uma cota de até 30% dos indivíduos adultos nos locais manejados
  3. Não capturar pirarucu abaixo de um metro e meio
  4. Não capturar pirarucu durante o período do defeso (15 de nov. a 31 de maio)
  5. Vigiar lagos onde há pesca manejada

Pesquisadores e pescadores de Santarém foram capacitados nessa metodologia pelo Instituto Mamirauá e estão implementando o sistema junto às comunidades de alguns municípios do Baixo Amazonas.

Manejo no baixo Amazonas

Nos municípios de Santarém, Alenquer, Curuá e Óbidos. Nossa atuação nas comunidades inclui a realização de cursos de manejo e conservação do pirarucu, treinamento no método de contagem visual, acompanhamento durante levantamento dos estoques de pirarucus através das contagens visual e certificação de contadores. Hoje atuamos em 08 comunidades inseridas em 05 Projetos de Assentamentos Agroextrativista na área de várzea e terra firme nos municípios de Santarém e Alenquer

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Principais resultados

  • Cerca de 300 comunitarios participaram do curso de manejo e conservação do pirarucu
  • 68 pescadores receberam capacitação na técnica de contagem visual de pirarucu;
  • 59 pescadores foram certificados na técnica de contagem visual
  • Contagem de pirarucu ocorreu em mais de 76 lagos localizados em 43 comunidades de várzea
  • Vigilância comunitária está ocorrendo em 05 comunidades

Dificuldades:

  • Não existe uma politica de manejo do pirarucu no Estado do Pará e nem no nimvel federal. Assim não há ASDF efetivo da pesca do pirarucu.
  • Único momento de “não exploração” é no período de defeso - 01 de dezembro a 31 de maio
  • Grande % captura baixo do tamanho minimo
  • Organização dentro das comunidades
  • Distância de alguns lagos;
  • Pescadores não cumprem o acordo

Benefícios

  • O peixe capturado já se reproduziu pelo menos uma vez na vida.
  • À medida que o estoque aumenta, aumenta a quantidade permitida para pesca (cota).
  • Não há risco do pescador ser autuado, o que dá mais segurança ao comprador, e permite que o pescador consiga vendê-lo por preços melhores.
  • Aumento no estoque de outras espécies de peixes (tambaqui, Curimatá...)
  • Aumento nas populações de outros recursos (tracajá, pitiú, tartaruga)