App de monitoramento faz de jovens indígenas cientistas cidadãos

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Na Aldeia Solimões em poucos meses os estudantes se habituaram com a plataforma que integra dados sobre o processo migratório de peixes que navegam milhares de quilômetros e passam pelos lagos da comunidade indígena localizada na margem esquerda do Rio Tapajós na reserva extrativista Tapajós/Arapiuns

O acompanhamento faz parte das ações do Projeto Ciência Cidadã para a Amazônia que conta com a integração de professores e alunos para monitorar a diversidade de peixes capturados pelos pescadores das comunidades.

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Neste feriado (07) uma atividade coordenada pela professora  Ufopa Socorro Pena pela disciplina do curso de gestão pública da universidade acompanhou o processo de coleta das informações no lago conduzido pelos próprios jovens e adolescentes na comunidade que estão entusiasmados com a possibilidade de descobrir os caminhos percorridos pelas espécies migratórias.

Mariane de Sousa de 14 anos está entre os jovens selecionados para compor o projeto na aldeia Solimões. A jovem pesca com o pai desde 3 anos de idade e disse ter notado a escassez das espécies e por isso está animada com projeto que propõe a eles serem 'cientistas cidadãos': "Antes era melhor pra pescar, porque a gente pegava bastante peixe. Agora tá escasso. A gente sai 10 horas e volta as seis com bem pouquinho peixe" - diz.

Na região, o monitoramento acontece nos dias de terça e sábado. “Durante essa visita nós levantamos que a comunidade utiliza cinco lagos para a atividade de pesca. Possivelmente é uma das comunidades com a maior quantidade de lagos na região próxima a Resex” – explicou o biólogo da Sapopema – Fábio Sarmento.

Com os aparelhos celulares os jovens cientistas informam no Ictio os peixes capturados durante a pescaria, peso, tamanho, registram foto e possibilitam ao aplicativo reunir todas essas informações sobre a pesca na região. “Estavam orgulhosos de estar participando dessa experiência e a coisa mais importante pra eles foi saber que os mesmos peixes daqui tem outro nome lá fora, e o mais difícil é quando eles vão fazer a atividade e não pegam nada” – comenta.

 

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