Sapopema e Semed formalizam parceria para promover educação ambiental e conteúdos regionais às escolas ribeirinhas

Acordo de Cooperação Técnica oficializa distribuição de materiais didático-pedagógicos construídos por pesquisadora da Sapopema e Ufopa e agenda de qualificações em escolas ribeirinhas

A Secretaria Municipal de Educação deu um passo importante na valorização da educação contextualizada na Amazônia. O Termo de Cooperação Técnica entre a Semed e a Sapopema fortalece a implementação do projeto de educação ambiental com foco na regionalização dos conteúdos multisseriados a partir da biodiversidade local.

A iniciativa que já realizou a implementação piloto em 2025, avança para escolas ribeirinhas distribuídas em territórios estratégicos como Tapajós, Várzea, Arapiuns, Arapixuna e Lago Grande, regiões onde o cotidiano dos estudantes está diretamente ligado aos rios, à floresta e aos modos de vida tradicionais.

O acordo prevê a utilização da Coleção de Peixes do Tapajós composto por seis materiais educativos adaptados à realidade local, incluindo jogos pedagógicos, livro de atividades, vídeos e recursos lúdicos voltados ao conhecimento sobre a biodiversidade amazônica, especialmente os peixes da região. Os conteúdos foram desenvolvidos pela pesquisadora Samela Bonfim, como fruto da pesquisa de doutorado (PPGSND/Ufopa), orientada pelo Prof. Dr Frank Raynner Ribeiro, e recebe da The Nature Conservancy por meio do Projeto Águas do Tapajós- 3ª Fase.

Além da entrega dos materiais, o projeto inclui a formação de professores e acompanhamento da aplicação. A ideia é que o uso desses conteúdos fortaleça práticas pedagógicas mais conectadas ao território, valorizando saberes locais e estimulando o interesse dos estudantes.

A Sapopema e Ufopa são responsáveis por disponibilizar os materiais, apoiar tecnicamente as escolas e contribuir com o monitoramento da implementação. Já a Semed ficará encarregada de autorizar a execução nas escolas, integrar a proposta às políticas educacionais do município e apoiar a expansão da iniciativa para outras unidades da rede.

A proposta é que, após a fase piloto, o projeto possa ser ampliado com base em avaliações técnicas, consolidando uma política de educação ambiental alinhada às especificidades da Amazônia.

Com vigência inicial de 24 meses, a expectativa é que a iniciativa contribua para fortalecer a identidade territorial nas escolas e ampliar o acesso a conteúdos educativos que dialoguem com a realidade dos estudantes ribeirinhos.

“A experiência piloto em dez escolas e os pedidos de professores nos sinalizam a carência de materiais voltados para a realidade local, que valorizem o saber do entorno e ao mesmo tempo, promovam a sensibilização de questões socioambientais das novas gerações. Nossa intenção é popularizar o conhecimento sobre a diversidade dos peixes da região, integrando questões que busquem desenvolver múltiplas competências nos discentes e possibilitar uma sala de aula mais atrativa do ponto de vista da proximidade da realidade dos estudantes” - esclarece a autora dos materiais.

Antônio José Bentes, da coordenação da Sapopema, apontou o potencial do material para apoiar processos formativos e de mobilização social no longo prazo. Ele defendeu que é “fundamental fazer um trabalho profundo, sistemático, pedagógico, de envolvimento da juventude”, e avaliou que iniciativas como essa têm força para criar “novas energias, novas sinergias” nos territórios. Para Antônio, a coleção pode contribuir para uma “revolução pedagógica” voltada ao engajamento de jovens e adolescentes com temas ambientais e com a gestão dos bens comuns.

O professor da Ufopa Frank Ribeiro contextualizou a dimensão científica e ictiológica do território, destacando que a estimativa é que o rio Tapajós possua cerca de 900 espécies de peixes, o que evidencia a relevância da bacia para a ictiofauna amazônica. Ele também chamou atenção para a lacuna histórica de visibilidade do rio na produção científica mais difundida: “o rio Tapajós foi um rio muito negligenciado no contexto do conhecimento da sociedade oficial durante muito tempo”.

Acesso ao material

A coleção está disponível no site da Sapopema e também na plataforma da Alianza Águas Amazônicas.

bit.ly/coleção-tapajos

Para acessar, é necessário preencher o formulário online. Após responder às perguntas que servem para fins de registro, acompanhamento da pesquisa e garantia de uso adequado, o usuário recebe automaticamente o link para download completo do material.

O processo de acesso controlado garante que a coleção seja utilizada exclusivamente para fins educativos, comunitários, ambientais, pedagógicos e científicos, conforme previsto na pesquisa e nos termos de uso.