Pesca coletiva do pirarucu e contagem são definidas em Alenquer

Reunião realizada nesta quarta-feira (09) deliberou datas para realização das atividades relacionadas ao manejo da maior espécie de água doce do mundo;

Foto arquivo. Setembro/2019.

Foto arquivo. Setembro/2019.

Encontro sediado na Secretaria de Meio Ambiente de Alenquer contou com a presença do secretário da entidade Raimundo Fernando Maia, representação da Colônia de Pescadores Z-28, Sapopema e lideranças comunitárias de Ilha do Carmo. Durante a reunião, participantes atualizaram as definições do encontro anterior realizado no mês de setembro e deliberaram pelas ações voltadas à conservação do pirarucu.

Os pescadores do município de Alenquer definiram em parceria com as entidades presentes que a pesca coletiva da espécie será realizada no período da segunda e terceira semana de novembro e a contagem anual será feita na primeira semana de dezembro e servirá de parâmetro para a pesca do ano seguinte. A reunião foi importante para alinhar as colaborações de cada parceiro para contribuir com a comunidade, explicou a bióloga da Sapopema, Poliane Batista.

A pesca do pirarucu nas comunidades Urucurituba e Ilha do Carmo é um marco importante na atividade de conservação, já que é a primeira vez que pescadores farão a retirada da espécie dos lagos de Urucurituba. Em Ilha do Carmo a última pescaria foi realizada em 2014, contou a bióloga da Sapopema, Poliane Batista. A paralização da pesca foi uma decisão coletiva visando o crescimento populacional de pirarucus em defesa da conservação da espécie. Entretanto durante o ano, mesmo sem capturar o peixe, os pescadores se revezaram nas fiscalizações e realização de contagens.

A pesca coletiva estabelece um percentual de captura de 30% de pirarucus adultos, estimando 59 peixes para Ilha do Carmo e 23 para Urucurituba no mês de novembro. A cota é baseada no relatório de contagem realizado anualmente nas comunidades. Veja abaixo:

Ilha do Carmo

Em 2018 foram contados seis ambientes aquáticos na comunidade de Ilha do Carmo nos dias 01 e 02 de dezembro. Foram contabilizados um total de 399 pirarucus, sendo que destes 203 (50,9%) são juvenis e 196 (49,1%) são adultos. Entretanto, no lago Baixa Grande, incluídos na proposta de acordo de pesca local, não foram visualizados pirarucus.

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As contagens realizadas em 2017 registraram um total de 117 pirarucus, sendo 63 juvenis e 54 adultos. Quando comparados com dos dados de 2018 é perceptível o aumento de mais de 200% na quantidade de juvenis. Em relação aos adultos, houve aumento de 263%. A população de pirarucus na comunidade Ilha do Carmo aumentou cerca de 241%. Um dos fatores que podem ter favorecido foi o estabelecimento de acordo de pesca que restringiu a pesca no lago do Papucú, Seringal e Baixa Grande. Além disso, houve a organização comunitária para contagem. Participaram cerca de 18 pessoas, sendo que a maioria envolvida diretamente com a contagem. Além disso, a equipe técnica acompanhou de perto os 2 dias de contagem, orientando como a atividade deveria ser executada corretamente.

Urucurituba

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Em 2018 foram contabilizados 150 pirarucus no Lago do Triste, sendo 72 (48 %) são juvenis e 78 (52%) são adultos. Em 2017 foram contados 91 pirarucus, sendo 22 juvenis e 69 adultos. Quando comparados com dos dados de 2018, percebemos aumento de 28% no total de pirarucus contabilizados, aumento em 14% na quantidade de juvenis e aumento de 33% em relação aos adultos. Um dos fatores que podem ter influenciado no aumento se deve ao cumprimento do acordo de pesca, visto que restringe atividade de pesca na bacia do lago e igarapés desde 2016. Assim alguns espécimes podem retornar ao lago durante vazante, sem ter ameaça de pesca.

Métodos utilizados

Os pescadores dividem cada lago a critério individual em áreas de distintos tamanhos atingindo no máximo 2 hectares com base no grau de dificuldade percebido para observar e escutar a boiada do pirarucu. Cada pescador conta o número de pirarucus em uma unidade de área durante um intervalo de 20 minutos. Após terminada a contagem em uma área, o pescador desloca-se para outra área, conta os pirarucus desta outra área, e assim por diante até que toda área do lago tenha sido contada. Desta forma, as contagens de pirarucu produzem censos populacionais. Somente pirarucus maiores de 1 metro são contados, pois é impossível contar indivíduos menores com acurácia. Os indivíduos contados são classificados em duas categorias, juvenis (1-1,5 m) e adultos (>1,5 m). Os pescadores devem fazer as contagens da forma mais silenciosa possível para evitar que o comportamento do pirarucu seja afetado e assim assegurar a acurácia das contagens.