Estudantes da várzea e comunidade indígena trocam experiência em Intercambio na Floresta

Mais de oito horas de viagem separaram a aldeia Solimões e a comunidade Aracampina em Santarém. Apesar da longa distância, estudantes integrantes do projeto Ciência Cidadã para a Amazônia se encontraram para partilhar experiências sobre as atividades de pesquisa e tecnologia

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

O encontro foi celebrado com ritual indígena, danças tradicionais, bebida típica e muita conversa. O intercambio foi a segunda vez que os estudantes se encontraram para contar como desenvolveram o uso do aplicativo Ictio no monitoramento de peixes migratórios nas próprias comunidades. A primeira reunião foi na comunidade Aracampina, contou a professora da Ufopa e responsável pelo projeto na região, Socorro Pena – “Quando nós fomos em Aracampina a aldeia Solimões fez a apresentação de como eles estão desenvolvendo projeto aqui. E agora Aracampina apresenta como eles estão desenvolvendo para Solimões”.

Com muitas comidas típicas no café da manhã, lanche e almoço os estudantes contaram sobre suas experiências, dificuldades, potenciais e devolveram os dados pesquisados pelos próprios nas comunidades. A estudante indígena Estefane Santos disse que ficou muito feliz com a participação: “eu fui uma sortuda porque esse projeto foi uma coisa muito boa não só pra nós alunos, mas pra aldeia. Eu nunca tinha tido contato com essa tecnologia, ainda mais porque nós somos aldeia, isso vem beneficiando bastante a gente” – explica.

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

Criado para monitorar inicialmente o processo migratório de espécies como a dourada que nada dos Andes e passa por cidades como Santarém e Óbidos, o aplicativo ganhou novas funções. Além de reunir informações sobre muitas outras espécies, possibilitou a formação cientista cidadã nos jovens, comentou o professor Dailon Alves da Aldeia Solimões: “despertar a consciência crítica de conservação da natureza. A gente procura trabalhar com eles não somente o Ictio, mas a preservação da agua, da natureza. E através do Foldescope a gente já começa a testar a qualidade da água”.

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

Durante mais de oito meses, os estudantes de Santarém e voluntários de países como o Peru, Colômbia e Bolívia registraram informações sobre a espécie, tamanho, peso e local de captura. Para a diretora da escola Nossa Senhora das Graças Aurenice Costa as duas tecnologias possibilitaram o uso em sala de aula: “Professores de biologia, ciências e ensino modular estão fazendo uso desses materiais e estamos tendo bastante resultado”.

Ictio e Foldescope

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

Foto: Samela Bonfim/ Ascom Sapopema

O Ictio (peixe em grego) é um aplicativo desenvolvido para o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Por meio dele, voluntários coletam informações durante a pescaria e lançam em um sistema geral, para análise e cruzamento de dados. A intenção é monitorar a diversidade de peixes capturados pelos pescadores das comunidades.

No Pará, foram selecionadas para participar do programa as comunidades Aracampina localizada na Ilha de Ituqui, na margem direita do Rio Amazonas e a Indígena de Solimões - margem esquerda do Rio Tapajós na Reserva Extrativista Tapajós/Arapiuns. O projeto é fruto de parceria entre Sapopema, Ufopa, Saúde e Alegria e WCS.

O foldescope é um microscópio de papel que identifica microorganismos presentes na água. Com isso é possível de maneira prática saber a qualidade da água nos locais de captura de peixes e de coleta do liquido para consumo diário. Nas escolas, o microscópio portátil também tem contribuído para as aulas de ciência e biologia.

 O projeto é fruto de parceria entre Sapopema, Ufopa, Saúde e Alegria e WCS.

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Foto: Daniel Martinez/PSA

Foto: Daniel Martinez/PSA